A balada de Adam Henry – Ian McEwan

11-02-2016

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Bom dia, leitores!

O livro de hoje é especial, daqueles que nos deixam com uma baita ressaca literária. Eu não sei, sinceramente, como ele foi parar no meu Kindle, não me lembro de tê-lo comprado, mas quando visitei a minha biblioteca a fim de escolher algo para ler, o vi e pensei “é esse”. E que feliz escolha!

Apesar de o inglês Ian McEwan ser um dos ficcionistas mais importantes da sua geração, eu tenho que admitir que não conhecia nenhuma de suas obras. A balada de Adam Henry, no entanto, abriu para mim um mundo maravilhoso na literatura estrangeira.

A trama é tão simplista e, ao mesmo tempo, tão carregada de discussões morais, que fechei o livro repensando minhas próprias convicções.

A-Balada-de-Adam-HenryA protagonista é Fiona Maye, uma juíza de 60 anos bastante respeitada na profissão, tendo obtido sucesso nos casos mais desafiadores enquanto atuante na Vara de Família.

O sucesso na profissão, entretanto, não se espelha em sua vida pessoal, e ela vê o seu longo casamento ruir após receber uma proposta indecorosa de seu marido, o geólogo Jack.

Sabendo ser impossível aceitar o que ele lhe propõe, ela mergulha ainda mais nos casos que se lhe apresentam e guarda nos recônditos de seus sentimentos o verdadeiro sentido de tudo aquilo, enquanto alimenta a desesperança e a vergonha.

Quando se depara com o caso de Adam Henry, um lindo menino de quase 18 anos que tem leucemia, novamente a moral e os limites do que é correto têm destaque na trama e nos levam a profunda reflexão. Acontece que Adam pertence a uma ortodoxa família de Testemunhas de Jeová. Internado em tratamento intensivo, seus dias correm rapidamente para o precipício da morte, tendo no tratamento agressivo e na transfusão de sangue a única chance plausível de recuperação. Só que, pelas convicções religiosas, os membros da igreja não podem receber sangue de outrem, e Adam recusa-se veementemente a receber o tratamento.

Apesar da família apoiar feliz a decisão do garoto, mesmo sabendo que a morte é quase certa, o hospital quer intervir e procura a justiça para trazer o garoto à luz da razão. Uma decisão difícil para Fiona, que contrariando todos os protocolos, trata do caso com um carinho especial, envolvendo-se com Adam além do que deveria.

O que ela não sabe é a influência que sua decisão terá na vida de Adam e na sua própria.

Com uma narrativa espetacular, voltando ao passado de Fiona quando convém, McEwan vai traçando uma linha tênue entre a Fiona juíza e a Fiona mulher, convergindo em um ponto em que ambas, inevitavelmente, se encontram sob o manto da exigência social.

Fiona é uma personagem admirável, e a trama traz à tona seus casos mais difíceis, a fragilidade dos relacionamentos pessoais sob a ótica de um tribunal e como eles podem intervir na vida de quem decide o futuro de um terceiro. Não posso deixar também de destacar a frágil e ambiciosa condição humana, que se espelha desde a decisão de Jack até as discussões nos tribunais que Fiona acompanhou de perto por mais de 30 anos. Uma ironia que mistura o profissional e o pessoal da juíza.

Eu termino essa resenha, simplória perante a grandeza do autor, indicando a obra para todos os leitores, independente do gosto literário. É uma leitura rápida, mas que deixará marcas indeléveis na vida de quem se entregar a ela.

McEwan ganhou espaço na minha coleção de autores queridos.

Beijos e até a próxima.

Soraya Abuchaim
Siga-me!

Soraya Abuchaim

Mãe, leitora compulsiva, escritora e blogueira nas horas vagas. Apaixonada por terror e suspense, me interesso por qualquer coisa que tenha sangue, ou um drama bem denso. Stephen King é o meu ídolo.
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Comentários

  1. Desbravadores de Livros diz: 2016-02-12

    Olá, Soraya.
    Adoro livros que são acompanhados de discussões morais. Esse, pelo visto, é bem forte nesse quesito, até no lado religioso, o que me agrada demais. Só por isso já leria a obra.
    Além disso, a tama me agradou bastante.
    Ótima resenha.

  2. Mariana FS diz: 2016-02-17

    Oi Soraya!
    Só li um livro do autor (Serena – e não gostei tanto assim. Mas já me disseram que é um dos mais fracos dele) e morro de vontade de ler outros. Confesso que esse não estava no topo da minha lista, mas gostei das coisas que você comentou (gosto quando um autor mescla o passado com o presente do personagem para que possamos conhecer ele a fundo)
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

  3. Cecilia Mesquita diz: 2016-02-20

    Nossa, não conhecia nada do autor, mas depois dessa resenha não têm como não ir atrás de ler!

  4. Jeni Viana diz: 2016-02-22

    Oi, Abuchaim! DEMOREI, MAS CHEGUEI!

    Mulher, que resenha é essa? Sério? Acho que já vi a capa desse livro na Amazon mesmo, mas nunca dei muita bola e agora estou tentada a dar uma chance para a obra. Parece incrível, diante de tudo que disse! Vida e morte brincando para ver quem ganha, em um combate complicado com a religião e com a humanidade. Loucura!

    Um beijo,
    Doce Sabor dos Livros – docesabordoslivros.blogspot.com

  5. Mandy diz: 2016-02-27

    Esses livros que aparecem do nada (literalmente) são os melhores né SHAUSHAJS
    Fiquei muito interessada na premissa do livro e super curiosa para saber o que acontece com o Adam, afinal o caso dele é ainda mais complicado por causa das convicções dele,
    Beijoos,
    Sétima Onda Literária

  6. Nana diz: 2016-03-02

    Blog super atualizado com as novidades da cerimônia do casamento e da viagem da lua de mel! Passa lá quando puder.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br

  7. Diane Ramos diz: 2016-03-03

    Oie…
    Sou louca com esse livro!!!
    Li uma resenha dele no ano passado e desde então fiquei louca para comprá-lo, mas, até hoje ainda não comprei rsrsrs…
    Sempre leio elogios dele e com certeza vou amar também.
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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